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Tratamento de Esterqueiras Através da Aplicação de Bioaditivos (bioaumento)

Dr. Eduardo Lazzaretti


artigo publica na revista Suinonultura Industrial anuário 2002 157(1):18-20, 2002


Introdução

Problemas de poluição ou danos ambientais causados por dejetos de animais (suínos e bovinos, principalmente) podem, pela atual legislação ambiental, responsabilizar criminalmente os produtores que não possuam um programa de tratamento adequado destes resíduos.
Os sistemas de armazenamento e tratamento dos despejos normalmente empregados são: esterqueiras, bioesterqueiras, lagoas anaeróbias, lagoas aeróbias, lagoas facultativas, fossas ou compostagem e, posteriormente, aplicação em lavouras ou pastagens.
As esterqueiras, sistemas mais comumente utilizados, podem ser sem revestimento, quando o solo onde são construídas apresentam grande capacidade de impermeabilização, como solos argilosos, ou revestidas com argamassa, alvenaria, PVC ou polietileno de alta densidade.
Para um manejo eficiente as esterqueiras devem ser compartimentadas (divididas) em pelo menos duas câmaras. Enquanto uma vai sendo preenchida pelos dejetos a outra estará sofrendo degradação biológica.
Um grande problema das esterqueiras é o mau cheiro exalado destas instalações. Os odores desagradáveis provenientes de compostos como gás sulfídrico, ácidos graxos de cadeia curtas e mercaptanas são produzidos por bactérias anaeróbias durante o processo de degradação anaeróbio (sem oxigênio) que ocorre no interior destas estrumeiras que não sofrem agitação freqüente.
Outro problema encontrado nestas instalações é a formação de uma camada seca e dura na superfície (foto 1) que dificulta o bombeamento e o manejo do esterco.

Tratamento com Bioaditivos

Uma das alternativas para minimizar os problemas descritos, além de melhorar as características do esterco para uso agrícola, é a utilização da tecnologia denominada bioaumento, que consiste na adição de microrganismos selecionados para degradação dos compostos orgânicos, além de macro e micronutrientes indispensáveis para uma boa atividade biológica.
Estudos recentes realizados com bioaditivos Bio-Systems (Rosales, 2000/2001) mostraram que, quando aplicados nas esterqueiras, estes produtos produziam um resíduo mais solúvel, de consistência mais líquida, menos viscoso, o que facilitou o bombeamento com bombas de baixa potência, além de facilitar a homogeneização dos dejetos e seu manejo. Outro benefício observado pelo autor foi a diminuição do mau cheiro e redução no número de insetos atraídos para a esterqueira.
A adição de bioaditivos também melhora as características agronômicas do esterco como mostram os gráficos abaixo.

Gráfico 1- Porcentagem de nitrogênio total (Nt), nitrogênio amoniacal (NH4), açúcares livres (AL) e sólidos suspensos totais (SST) presentes no esterco antes e após tratamento com bioaditivos Bio-Systems.


Gráfico 2- Valores da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) em mg/L e de fósforo total (PO4) em mg/kg do esterco antes e após o tratamento com bioaditivos Bio-Systems.


Nitrogênio: A redução de nitrogênio amoniacal observado no Gráfico 1 de, aproximadamente, 83% e redução no nitrogênio total de apenas 17%, é um indicativo de que houve um aumento do nitrogênio fixo, ou seja, o nitrogênio foi biotransformado e fixado na biomassa. Este resultado é extremamente vantajoso, uma vez que nitrogênio fixo reduz problemas de percolação além de estar mais disponível para a população ativa do solo.

Fósforo: O aumento no fósforo observado no Gráfico 2 já era esperado no momento em que houve um aumento da biomassa. Nesta forma a perda por lixiviação será reduzida.

DBO: A redução de, aproximadamente, 75% na DBO indica um esterco oxidado biologicamente e, portanto, menos agressivo ao meio ambiente.

SST: a redução do teor de sólidos suspensos totais, neste caso, se deve principalmente à degradação da celulose e outros polímeros complexos. Esta redução implica em um esterco menos viscoso e, portanto, de mais fácil manejo.

Conclusões
Pelo exposto observa-se que a aplicação de bioaditivos em esterqueiras melhora não somente as características macroscópicas como mau cheiro e redução na viscosidade facilitando o manejo do esterco, como também melhora as características nutricionais do mesmo através da redução de DBO e SST e da fixação de nitrogênio e fósforo.
Devemos ressaltar ainda que estes benefícios não exigem nenhum gasto com infraestrutura para adição dos bioaditivos uma vez que os mesmos já vêem pré-dosados em sacos plásticos solúveis em água.

Literatura consultada
- Perdomo, C. C. Sugestões para o manejo, tratamento e utilização de dejetos suínos. http//www.porkworld.com.br/atualidades. Consultado em 23/set/2001.
- Rosales, L. Nuevo Concepto em el Manejo de Purines. Cooprinforma 53. Casilla, Chile, abril/maio 2000, p. 8-10.
- Rosales, L. Menejo de Purines. Cooprinforma 57. Casilla, Chile, fev/mar 2001, p.20-21.


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