topo
  Artigos Técnicos

Utilização de Microrganismos em estações de tratamento de efluentes (Bioaumento)

Dr. Eduardo Lazzaretti


artigo publicado na revista Meio Ambiente Industrial 18(17):81-83, 1999

1-Introdução:

Poucas estações de tratamento de efluentes operam adequadamente, quer por falta de conhecimento técnico dos operadores, quer por erros de projetos ou ainda, por mudanças ocorridas na empresa após a construção da ETE (aumento ou diminuição da produção que acarreta excesso ou falta de carga orgânica e interfere no tempo de residência hidráulico para qual a estação foi projetada, alterações no processo de produção, produção de novos produtos, etc.), acarretando baixa ou nenhuma eficiência no tratamento do efluente, ficando desta forma, a empresa, sujeita a multas por parte dos órgãos ambientais.
Neste contexto, a procura por parte das empresas em minimizar os custos operacionais de estações de tratamento, sem que as mesmas percam sua eficiência, fez com que pesquisadores procurassem tecnologias alternativas e de baixo custo. Entre estas tecnologia destaca-se a suplementação bacteriológica ou Bioaumento.
O Bioaumento objetiva incrementar a microbiota da ETE sem substituí-la totalmente. Este incremento visa acelerar os processos metabólicos que ocorrem na estações, mantendo sua eficiência, sem que haja necessidade de alterações na ETE e de aporte de grandes investimentos.


2- Atuação dos Microrganismos

A redução da carga orgânica em estações de tratamento biológico de efluentes e consequente obtenção de um efluente que cause menor impacto ao equilíbrio do sistema receptor final (rios, lagos, igarapés, estuários) é conseguido pela ação de microrganismos, principalmente bactérias, presentes no sistema.
A equação abaixo esquematiza, de forma simplificada, o que ocorre no interior da estação
CaObHcNdSe + O2 + microbiota ® CO2 + H2O + CM + OP onde:
- CaObHcNdSe : representa a composição da matéria orgânica a ser degradada;
- CM: representa células bacterianas; e
- OP: representa outros produtos, os quais variam de acordo com o composto inicial
Uma vez que o efluente é composto por diversas substâncias orgânicas, a quantidade e a diversidade dos microrganismos presentes no meio resultarão em melhor ou pior qualidade do efluente.
Em geral os microrganismos atuam em conjunto nos processos biológicos, formando uma cadeia alimentar. Entretanto esta cadeia alimentar pode ser interrompida ou eliminada, quando alterações bruscas como choques de carga orgânica, compostos tóxicos, aumento da vazão, alterações no pH, entre outros, ocorrem no sistema. Estas alterações serão menos percebidas na qualidade final do efluente quando se aplica, ao sistema, a tecnologia de Bioaumento a qual visa suplementar e manter a diversidade da microbiota no sistema.
Entre os sistemas aeróbios de tratamento de efluentes que podem se beneficiar da tecnologia de Bioaumento, destacam-se: lodos ativados, filtros biológicos, lagoas aeradas e lagoas de estabilização. Entre estes sistemas, o processo de lodo ativado, o qual se apresenta como um processo aeróbio continuo e com reciclo da biomassa, é um dos mais utilizados.
Apresentaremos a seguir os benéficos propiciados pela da tecnologia de Bioaumento, obtido através da adição de aditivos bioquímicos, fornecidos por nossa empresa, em uma estação de lodo ativado.


3- Histórico

Nosso cliente, uma empresa de pescado localizada na região sul do país, apresentava, antes da utilização dos aditivos bioquímicos, problemas de mau cheiro e deficiência na remoção da DQO (demanda química de oxigênio) devido a choques de carga orgânica que ocorriam com freqüência e alterava a vazão para qual a estação havia sido projetada.
A aplicação diária dos aditivos bioquímicos eliminou o problema do odor e permitiu ao sistema absorver as variações ocorridas na vazão e na carga orgânica.
Os resultados de DQO de entrada e saída, apresentados na Figura-1, referente à média mensal, obtida a partir de 20 análises, mostra uma acentuada alteração nos valores de DQO de entrada sem que as mesmas fossem observadas nos valores de DQO de saída.

Esta capacidade da estação de absorver alterações na carga orgânica de entrada, pode ser melhor visualizada na Figura -2, na qual observa-se que a DQO de saída não só se manteve praticamente constante, como apresentou resultados melhores que os obtidos antes da aplicação dos aditivos bioquímicos.

A porcentagem de remoção de DQO, conseguida com a aplicação do bioaumento, foi superior a 90% (Figura-3) indicando que a manutenção de uma microbiota efetiva na degradação e diversificada em espécies, melhora a qualidade final do efluente a ser descartado no corpo receptor e absorve as flutuações de carga da estação.
Verifica-se pelos resultados obtidos, que a adição de microrganismos selecionados à estações de tratamento de efluentes permite uma estabilização e uma melhora acentuada nas características da ETE. Deve-se salientar também, que esta tecnologia é de fácil aplicação e de baixo custo operacional.


 :: Outros Artigos ::
Bioaumentação: Uma nova opção para tratamento de resíduos orgânicos
Tratamento de Esterqueiras Através da Aplicação de Bioaditivos (bioaumento)
Utilização de Microrganismos em estações de tratamento de efluentes (Bioaumento)
Efeito da adição de microrganismos (bioaumento) em uma estação de tratamento de efluentes por lodo ativado em uma indústria de papel e celulose
Tecnologia Alternativa para Tratamento Biológico de Efluentes
Efeitos da Aplicação de Aditivos Bioquímicos para Tratamento de Resíduos Sanitários em Sistemas de Fossa