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Tecnologia Alternativa para Tratamento Biológico de Efluentes

Dr. Eduardo Lazzaretti


artigo publicado na revista Saneamneto Ambiental 88(jul-ago):38-40,2002

Palavras chave: tratamento de efluentes, microrganismos, bioaumento, reatores anaeróbios.

Resumo


Uma estação de tratamento de efluentes sanitários por reatores anaeróbios (RALFs) encontrava-se com sérios problemas de eficiência na remoção da carga orgânica, avaliada em DBO e DQO, além de reclamações dos moradores vizinhos devido ao forte mau odor. O órgão ambiental do estado foi acionado e solicitou medidas urgentes para solucionar o problema. Entre as alternativas disponíveis foi escolhida a aplicação da tecnologia de bioaumento através da adição de microrganismos nas unidades biológicas de tratamento. Após a adição dos microrganismos houve uma redução do mau cheiro nas proximidades da estação, minimizando as reclamações dos moradores além da melhora na eficiência da estação, que passou a atingir os limites de DQO e DBO no efluente final exigidos pelo órgão ambiental. Pelos resultados obtidos e nas condições em que foram realizados os testes, conclui-se que a adição de microrganismos é uma alternativa prática, simples e de baixo custo para melhorar a eficiência de estações que se encontram fora dos padrões estabelecidos.


Introdução


O tratamento de resíduos orgânicos em estações de tratamento de efluentes (ETE) é cada vez mais uma necessidade para o bem estar da comunidade e um objetivo de muitos empresários e administradores públicos. Entretanto a simples construção de uma ETE não resolve, por si, o problema ambiental causado pelo lançamento dos resíduos impróprios nos corpos receptores. O bom funcionamento de uma ETE é imprescindível para o sucesso de tal empreitada.
Em diversas empresas e municípios que já apresentam um sistema de tratamento de efluentes, nem sempre a estação está trabalhando a contendo, ou seja, reduzindo a carga orgânica de entrada para valores admissíveis pela legislação vigente.
O mau funcionamento da ETE acarreta não só prejuízo para meio ambiente, devido a altas taxas de orgânicos lançados no corpo receptor, como pode trazer problemas de mau cheiro para a população localizada nas proximidades, causando grande desconforto.
Algumas vezes estes problemas são devidos a má operação da ETE. Em outras o sistema de tratamento não foi adequadamente projetado para suportar a carga orgânica recebida e, se o foi, por motivos de crescimento populacional encontram-se subdimensionadas. Há caso ainda em que o projeto, desde o inicio, já apresenta problemas estruturais.
Visando melhorar a eficiência de estações de tratamento que se encontram deficitárias, surgiram no mercado mundial produtos biológicos, a base de microrganismos naturalmente selecionados, para aplicação em ETEs objetivando, através da melhora da microbiota existente, aumentar a eficiência da estação.
Embora em muitos países esta tecnologia denominada bioaumento já seja utilizada há mais de 20 anos, no Brasil é relativamente nova e ainda cercada de preconceitos, na maioria das vezes infundados.
Na literatura encontram-se diversos relatos de aplicação, com sucesso, de microrganismos para biodegradação de diferentes compostos orgânicos em solos, tais como petróleo (Seabra,2001; Rataoka & De Angelis, 2001), pesticidas (Lazzaretti & Silva, 1996; Espósito et. al.,1998; Roque, 2000), fenóis (Albuquerque, 2000), entre outros, ou em efluentes líquidos (Lazzaretti, 1999; Santiago et al. 2000; Lazzaretti et. al. 2000; Balan, 2001; Oliveira et al. 2001).
Visando enriquecer a literatura nacional no que tange o uso destes produtos biológicos em estações de tratamento de efluentes, apresentamos um trabalho realizado no estado do Paraná em uma ETE para esgoto sanitário composta por três reatores anaeróbios (RALFs).


Material e Métodos


A ETE escolhida para realização do trabalho é composta por três reatores anaeróbios (RALFs) modulares sendo dois com volume de 216 m3 e um com volume de 420 m3. O efluente sanitário atinge os reatores após a passagem pelo tratamento preliminar composto por um gradeamento e desarenador.
Esta estação encontrava-se, em meados de Dezembro de 2001, com sérios problemas de eficiência na remoção da carga orgânica, avaliada em DBO e DQO, além de reclamações dos moradores vizinhos devido ao forte mau odor.
O órgão ambiental do estado foi acionado e solicitou medidas urgentes para solucionar o problema.
Entre as alternativas disponíveis foi escolhida a aplicação da tecnologia de bioaumento através da adição de produto biológico encontrado no comércio, nas unidades biológicas de tratamento.
Para este trabalho foram utilizados aditivos na forma sólida (bio-cubos) aplicados na entrada do sistema. Os Bio-Cubos permitem a adição contínua de microrganismos, uma vez que os mesmos vão se dissolvendo aos poucos. A cada 7 dias eram adicionados novos bio-cubos.
O acompanhamento foi realizado através de análises semanais da demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e da demanda química de oxigênio (DQO) de amostras compostas do efluente de entrada e saída. Os valores de saída da DQO e DBO encontrados foram comparados com os dados de saída dos meses anteriores à aplicação e do mesmo período do ano anterior.



Resultados e Discussão


A adição dos bioaditivos reduziram o mau cheiro nas proximidades da estação minimizando as reclamações dos moradores, provavelmente devido a melhora na eficiência da estação, como pode ser observado no Gráfico 1, que compara os meses sem bioaditivos, com os meses onde o produto foi adicionado. Neste gráfico percebe-se uma redução significativa nos valores de saída após a adição dos bio-cubos, principalmente de DQO que passou de 297 mg/L em janeiro para 83,5 mg/L em março de 2002. Ressalta-se ainda que após adição dos bioaditivos a DQO e DBO no ponto de lançamento do efluente no corpo receptor atingiu os padrões exigidos pelo órgão ambiental.



A melhora na eficiência da estação, quando da adição dos bioaditivos, também pôde ser observada quando comparou-se os valores médios da DQO e DBO do efluente de saída dos meses de fevereiro de março de 2001 (sem adição de microrganismos) com os valores obtidos nos meses de fevereiro e março de 2002 (com adição de microrganismos) (Gráfico 2). Neste gráfico observamos uma acentuada redução da DQO e da DBO nos meses com adição dos microrganismos.



Foi possível observar ainda, no período de aplicação dos microrganismos, uma absorção de choques de carga orgânica (Gráfico 3). Observa-se neste gráfico que mesmo com o aumento da DQO e DBO de entrada, os valores de saída permaneceram estáveis indicando uma microbiota efetiva e ativa na degradação dos compostos orgânicos.
Pelos resultados obtidos podemos concluir que a adição de bioaditivos é uma alternativa prática, simples e de baixo custo para melhorar a eficiência de estações que se encontram fora dos padrões estabelecidos.



Referências Bibliográficas:

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